20 junho 2010

Peça "Nós, Pessoas"

“Nós, Pessoas” somos pessoas e como pessoas que somos pensamos, agimos e sobretudo: somos nós. Nós temos também parte dos outros que nos fazem mais nós, nós, ainda somos mais nós quando fazemos o que fazemos em “Nós, Pessoas”.

Espectáculo criado no âmbito do curso da Só Cenas, vem findar um percurso, mas mais do que isso é um pouco de todos os envolvidos e do seu trabalho, juntamente com uma grande paixão partilhada pelo teatro.

Textos:
Fernando Pessoa; Luís de Camões; Shakespeare; Florbela Espanca; Nicha Brandão Lavander; Rosa Magalhães; Patrícia Ferreira; Helena Rodrigues; Bella; Paula Fidalgo; Joana Chaves; Marta Ferreira.

ENCENAÇÃO:
Rita Burmester

ELENCO:
Nicha Brandão Lavander, Rosa Magalhães, Patrícia Ferreira, Helena Rodrigues, Bella, Paula Fidalgo, Joana Chaves, Marta Ferreira.

(escrito por Rita Burmester, Cartaz elaborado por um dos alunos da Turma de Famalicão que representaram a Peça (Ficamos assim) - "FiAssim")


No palco, a Magia acontece!



Ser ou talvez não.




Sei lidar com todos os partidos, todos os clubes, todas as religiões, todas as diferenças mesmo não concordando… porque sei, respeitar-me! Sou humana.
Não sei lidar com as injustiças, a hipocrisia, a violência, a covardia e falsas amizades, porque não sei, não ter sentimentos! Não sei não ser! E sou humana.

11 junho 2010

O amor está fora de questão!


Tenho-me
num traço atravessado entalado amarrotado
dentro do abandono que me dei
e um papel desistido
e um pedaço de tecido
e um lápis partido
como a transparência de um vidro
o amor está fora de questão!
- Disse-mo eu para mim…
... e eu não pude desistir.

09 junho 2010

Torta é esta vida!

Tortas almas que vagueais, atormentadas, pardais juntos às alvoradas...
A chuva cai!
Cai nas insónias, pestanas queimadas e poetas e dores e mares e olhares cansados!
Oh mares...
Mares que ides à deriva!
Barcos partidos, perdidos das águas bebidas e nuvens esquecidas e ventos,
ventos, outrora vindos ternurentos nas frívolas maresias...
... Areias desertas e caminhos temidos, sem vapor sem nó, sem corda, sem cordeiros!
Paz que a guerra arde nas mentes e feridas!
Tortas tardes!
Tortas almas!
Tortos pardais à chuva!
Torta é a chuva e as cabeças tontas!
Insónias, mares sofridos, violentos!
Bêbados famintos!
Tudo é esquecimento...
... Oh cruéis!
Que invadis olhares tristes!
Ruínas arruinadas!
Cantares sentidos!
Caladas folhas, do verde puro e puros campos...
... Árvores sedentas de amor e tontos amores!
Amores tortos!
Mundo torto que me inventa!
Torta é esta vida!

20 maio 2010

Cruel é o mundo feito pelo homem, cruel é o homem!

Construí Enéadas nos livros do mestre e os anos multiplicaram-se por expedições de selectos influenciados pelo pensamento...
... o homem curou-se dum lado e amargurou-se do outro.
A moral do mundo são leis criadas pelo humano que faz de si mesmo, desumano para as cumprir.
Pensar que poderão ser o destino da alma?
Seria mais fácil a dita inteligência ser um só uno!
Mas isto que deixo aqui, não pode ser um jogo de cartas para descartar tais pensamentos...
... logo hoje que trouxe-te um bocado dos elementos simbólicos do riso que carrego e me completam.
O supremo?
Vejo como virtude!
E tudo que é tudo, são coisas que nunca apartaram do não deixar de ser simples coisas.
Sou invisível aos teus olhos, por isso não me vês...
... e o conceito que treme tuas pernas é mente repleta de léxicos conscientes dos seres habitados ao nosso lado, enquanto continuamos, vivos.
Vejo animais crentes neles mesmos e as conotações, tornam-se invasivas a querer transmitir pessoas, num acordo ortográfico sem significado maior de palavras gregas de se entender.
Se posso escrevê-las tortas e desordeiras posso destorcer realidades, mas dou de caras com outras tamanhas, que podes nem entender qual código é o da mente.
Ser apenas, a inspiração dum escritor louco e viver noutros mundos à parte do meu que é sadio e cruel, era bom que Plotino voltasse a decifrar seus mandamentos filosóficos e desenvolve-los, a ponto de dizermos todos gritando:
- houve evolução!

Homem bicho é bicho que foge do bicho homem.

escrito 19 Maio 2010

05 maio 2010

Guardo num baú de recordações...

Guardo num Baú de recordações, pedaços de jasmim fragmentados que foram rasgados do pensamento. As melancolias que foram antes pardas alegrias estão nas mãos de um esquilo preto. Guardo os sons das quietas ondas dentro dos búzios que colhi da praia encantada, e algumas dessas magias estão soltas à espera da nova alvorada. Os espinhos das roseiras bravas foram arrancados pelo vento dos sonhos, o cheiro das flores que foram pintadas guardo nos inúmeros olhares quebrados que fui encontrando. Tenho sorrisos acolhidos em fotografias a preto e branco. Entre outros escondidos alguns desolados, tenho presos vestidos de cor nas bonecas importadas. A fita acetinada tem um atado do meu cabelo de criança e num frasquinho pequeno guardo o cheiro das violetas com muito carinho. Aquela estrela que o sol secou na minha praia ainda tem alguma areia já negra. Outra foi roubada ao deserto de Marrocos. Guardo duas pedras coração que encontrei à mão na minha calçada e todos os textos iluminados vivem dentro do livro negro com separador de páginas num mural instigavel! No meu baú tenho segredos. Tenho tantos segredos desenhados num diário escrito à mão. Às sombras dei-lhes a cor branca da luz mais amena dos dias que fui riscando do calendário. Aos nomes que foram riscados somei e subtraí emoções e o que não me marcou nunca lá foi guardado. Os beijos, multipliquei-os em ofertados abraços que nunca medi com fita métrica. De tudo que tenho guardado, faço memórias em momentos únicos e aprazerados de aconchego. Guardo a chave num lugar secreto, onde ninguém sabe. A chave tem pendurado como amuleto, uma clave de sol que dita o destino que vou traçando. Como prova rubra de alguns sonhos fustigados, fui ateando fogo de vez em quando a dar espaço a outras lembranças que pretendo guardar. Na aurora de cada amanhecer tento esquecer-me em papel timbrado que vou construindo aos pedaços, como os castelos dos versos, vou sorrindo sem vendas no olhar. Tenho um baú guardado onde raramente abro estigmas ao universo. Das poesias que fui escrevendo tracei um editado já declamado com alguma proeza, e aguardo que seja consagrado no meu imaginário. E porque o sal que por vezes derramo nesta consulta não combina com o meu perfume, fico na espera de que um novo dia surja pleno de esperança.

30 abril 2010

Adormecida ...

Projecta-me,
projecta-me das tuas mãos, delicadas
como se fossem aleluias, refinadas
ou aprazeradas alegrias, de rosas minhas
ou sábias letras encantadas, já consumidas.

Encontra-me!
Encontra-me por entre as poesias perfumadas
e cruza-me,
cruza-me nos mais belos e loucos poemas
plenos magias em imagens
e distrai-me numa forma grandiosa.
Distrai-me! Distrai-me como se fosse
um aglomerado refinado e fortalecido
em cada oceano vivo e vence-me,
vence-me nas verdades desta alma
pobre e insaciada e da morte,
da morte faz-me renascer num lindo dia.
Desvenda-me! E que todos,
os teus suspiros, sejam animados
a lembrar-te nem que seja num só pensamento
mas nunca, nunca me deixes por esses mares
desorganizados eternamente, adormecida!

Enganos

Fere-me se leve for,
teu nobre esquecer-me!
Já nada me prende...
Já nada me surpreende...
Senão este dom que tenho
de querer-te...
Fere-me! Se no lembrar-te
nada se repete, que não seja
um pedaço de nada!
Tudo me move a perder-te...
E se te ousares, linguagem de amor
traz pétalas de flor e perde-me de vez!
Sem ter de agradar-me...
... podem ter feridas as noites,
e os dias frio...
mas nada,
nada irá causar-me engano!

28 abril 2010

Imperfeito e humano

os defeitos falam certo em actos de verdade
como Deus escreve certo por linhas rectas
nós, entendemos tudo errado
nas limitações de risco usam-se máscaras
carregam-se lutas por dentro, quase equilibradas
domam-se feras entre os seres humanos
e há filósofos de sensualidade e de afecto
o mutuo é essência que se pretende esquecida
o corpo aspirado está a um passo
do objectivo programado
uma só ideia combinada
uma só visão apaixonada
entre o cosmos ancorado no imperfeito
e o ideal do distanciamento, fica a razão
e unem-se à mente numa vontade centralizada
se a natureza transforma já não há paz
já não há amor, nem dor
tudo avança em prol do errado
atrás das verdades, fantasiam-se reais fantasias
no desfolhamento da hipocrisia, o teatralizado
probo maior e coerente é pele de lobo
vestida de cordeiro
as tragédias são comédias
sentadas em rede balançada
prevalecem camélias soltas no ar do apego
o platónico e distante das verdades
é avesso de horas vãs
e na perdição, há a espera
de uma esperança germinada
que nunca foi sonhada, na verdade!

escrito a 27 Abril 2010

27 abril 2010

Cativeiro...

acordei com asas nos pés
e mãos atadas como os presos
nas celas do cansaço
vi gaiolas penduradas
com vidas e pássaros lá dentro
tremi o medo de olhar o espaço
foram dores cantadas
sem cordas de violas
foram sonhos pendurados
nas portas das gaiolas


acostumei à dúvida do estar
tão perto desse estado
e no brinde, ouvi
um simples estalar de dedos

recheei a coragem com falcões
e rapinas indolentes do saber solto nos ventos
e soltei-me os pés
voei como se as asas
saíssem de mim para bem longe
e fui de mim um cativeiro

Cedo demais!

Era tão cedo!
Cedo demais para acordar
hoje de manhã
acordei cedo
muito cedo
e saí tão cedo
não apetecia-me sequer
levantar.

Lá fora, era tão cedo
o sol ventava
era leve e sem hora
no despertar.


Hoje de manhã
era cedo demais para sair
acordei tão cedo
saí tão cedo
nem o vento
trazia som tépido
e nem o sol
tinha pressa de chegar
não quis voar...

Era tão cedo hoje de manhã
o despertador pôs-se a tocar
à correr tive de acordar
era tão cedo
cedo demais e saí
antes que fosse
tarde demais!

escrito a 26 Abril 2010

verdade do amor, existe?

remei por um amor escondido
com medo de perdê-lo
e perdi por escondê-lo
outrora
perdi por desvendá-lo.

por amor
plagiei um amor a alguém sem saber
e acordei a sorrir
por um sonho que nunca fiz!

por amor
vi passar horas
num espelho quebrado
e quis correr o mundo
na certeza de que falei verdades
e com verdades, menti!
fingi não chorar de dor
chorei de rir.

por amor
inventei lendas para fugir à chegada
tive sonhos envoltos de realidade
e silêncios atormentados!

por amor

tentei seguir o coração e amar pela metade
eclipsei a pedir socorro
à outra metade
tentei não divagar
e nunca soube como ajustar
fui bebida doce em licor amargo!

por amor
quebrei sapatos em pontas de facas
desatei os cubos de gelo do meu corpo
e de raiva detonei a crueldade!
calei a voz num sorriso
e depois
gritei
quase sufoquei!

fiz do amor feliz
mas não a mim nem tu a ti…
acreditei no amor absoluto
e por amor amei
e por amor perdoei
nunca ignorei a essência
de um amor de verdade!

escrito a 26 Abril 2010

14 abril 2010

Pedaço


um pedaço de ti
um pedaço de mim
dois pedaços de nós
um pedaço feliz
um pedaço sem ti
um pedaço sem mim
dois pedaços sem nós
um pedaço infeliz

Tenho vezes...

Tenho vezes que o ódio surpreende-me
e o amor abafa-o definitivamente!

Tenho vezes
que meus gostos
são desgostos
e o amor espreita
para que lhe sinta
o gosto!

Tenho vezes
que meu rosto fica caído
de tristeza e sem paz
até as cores do arco-íris
fogem como andorinhas
mortas sem voar
e o sonho chora
e o pensamento grita!

Tenho vezes que sou
um estranho ser dentro de mim
um pedaço de chuva amarga
a parecer dor
como natureza quase morta.

30 março 2010

Chegou o carteiro e mudou tudo!

Não te aguento mais coelhinho maldito! Vieste roubar-me o lugar e ainda por cima trazes os ovos dentro dum cesto e para não bastar chegaram as avozinhas para os colorir de tons alegres! Ora essa, escondes os meus ovinhos nos jardins e florestas, a divertir crianças traquinas e gulosas que mos comem! Por isso não te aguento mais coelhinho!
Eras mais giro se fosses Canguru e não coelho aos saltos com cesto carregado de ovos e ainda, ficaste imortal. Não acredito que sejas lembrado em todas as Páscoas como passagem da escravidão para a liberdade. Fizeram de ti coelho livre de jardim nesta maior festa natural e para não bastar, apareces em todo o lado por onde passo até a decorar ruas com wallpapers! Isso é demais!
Deixas comer os ovos como se fossem teus e para lá teres chegado foi preciso Jesus morrer na cruz pelos homens! E tu?
Que tens a ver com a ressurreição se nem pões ovos? Já agora ovos e coelho não é boa combinação! (diga-se de passagem)
Hoje lamentei-me com uma amiga Egípcia que está cá a trabalha comigo e ouvi o que ela me disse:
- o coelho está ligado à lua.
- A lua determina a data da Páscoa.
Inquestionável!
Perdi o pio só pelo respeito que tenho pelo significado da data festiva. Tive de aceitar-te coelho e ainda dizer a todos que és bonito! Por sinal és o mensageiro da vida e no alvorecer, as esperanças renovadas. Então fica lá aí, a fazer do mundo um lugar melhor e vê lá se ajuda os homens a ter uma atmosfera mágica de paz e amor! É preciso mas é meditar e não esquecer de agradecer a Deus tudo aquilo que temos! E tu, coelhinho meu amigo do peito, trazes uma lenda linda acompanhada de deliciosos cardápios, mas não matem os cordeiros por favor a pensar que seu sangue derramado acabará com os vossos pecados! Isso é coisa de homem ignorante.
Quem fez isso foi Jesus por todos nós e Jesus foi e é para todo o sempre o Cordeiro mais valioso que a humanidade tem! Não sabes que os pecados cometidos não desaparecem assim à toa! É preciso acreditar e mudar, arrependimento, sabes o que isso é?
Páscoa é transformarmo-nos em seres melhores!
Só assim o mundo será bondoso e a nossa natureza prevalece...
... o que nós não fazemos, a esperar o coelhinho da Páscoa!
Sabes que és bem dito lá em minha casa e aceitei-te tal como és, mas já que fiz as pazes contigo coelhinho maldito, espero que deixes todos os teus ovinhos lá em minha casa, porque tenho tantos amigos para dar votos de Feliz Páscoa!
Espera! Espera!
Chegou o carteiro com uma carta com a mensagem de que, também todos os meus amigos daqui passaram a ser os coelhinhos da Páscoa e todos vão passar por aqui com carinhos!
Feliz Páscoa cheia de Amor para todos Vós!

Fora de horas ...

A maior desgraça do poeta é não ser poeta
nem saber sentir para escrever
ninguém fala do amor sem senti-lo
ninguém escreve o amor sem vivê-lo
é como viver na escuridão das palavras
sem amá-las
é preciso sofrer a origem
e crescer por causa disso

A maior desgraça do poeta é não saber ser poeta
não é fazer rimas nem acertar nas letras
é a influencia das más falas
que destroem seu brilho
é escrever sem sentir emoções cá dentro
é usar-se poeta para escrever coisas sem sentido

então rir faz bem ao espírito!

escrito a 29 Março 2010

um metro e noventa

Quero-te assim meigo e másculo tal
e qual do jeito que te admiro bem
humorado e honesto como Deus quer
o cão sempre fiel e o meu favorito
genuíno e inédito como gato meu

Quero-te físico e mente na metade que falta
aos meus olhos que sejas o infinito
perfumado, cheiroso e asseado
unhas arrumadas e dentes brancos
olhos profundos de um amor louco

Quero-te como primeiro numa primeira noite
cabelos longos e t-shirt colada nos braços
assim alongado acima do metro e noventa
num equilíbrio saudável, sortido e afável
valorizado num homem de verdade

Quero-te confinável amante e marido apaixonado
o parceiro ideal do meu sonho e ser tua metade
doméstico qb e divertido, extrovertido e sossegado
agitado quando é preciso

Quero-te simples e complexo companheiro
bem disposto e no trabalho solicitado
sem conflito, prático e flexível
amável segundo todo o meu estudo

Quero-te perfeito no ambiente respirado
a fazer parte do passado, presente e futuro
teu ar selecto em jantar romântico
e o sabor do cheiro da tua cigarrilha
ambos de aspecto cuidado e comprometido
livre comigo todos os dias e sem kit ao domingo
e dançar na noite até o dia raiar
mas morreria se fosses o único no mundo!

escrito a 27 Março 2010

25 março 2010

40 rosas, e 40 Primaveras

40 rosas ...
            ... e 40 Primaveras
Trago-te rosas
no frescor da manhã
rosas belas de amor
o segredo da paz
as flores mais lindas
as mais populares
as mais antigas
no amor da amizade

Trago-te rosas
de folhas simples
de pétalas perfumadas
aveludadas
forte aroma
as rosas da simpatia
da admiração
pela linda Amiga Querida
que vive no nosso coração
Trago-te 40 rosas, hoje!
Trago-te rosas!
E uma gota de orvalho, caída
um raio de sol que ilumina
Cristina,
és Orquídea da nossa vida
Amiga és eterna e hoje
lembramos na saudade
as tuas lindas 40 Primaveras!
25 Março 2010
Homenagem Cristina

22 março 2010

Amigo do coração.

bem sabes tanto quanto eu sei que sabemo-nos há imensos anos na exacta palavra alegria desalinhada no mesmo rosto. foste a surpresa pendurada no perfil da mesma amizade. um clássico tão valioso que perdurou ao tempo e enquanto os anos correram depressa demais insistimos ausentes. mas não envelhecemos o suficiente para esquecermos um passado metafísico num recontro de flashes. envaideci atraída com teu novo mundo mágico num artista fantástico a esconder o ser humano extraordinário já conhecido por mim. um passado distante que perdura igual como antes. por dentro o homem gigante e por fora o palhaço. voltando ao passado no pensamento sempre havia em ti aquele riso farto estampado no rosto a provocar gargalhadas à tua volta. não quis acreditar ao ver-te de rosto pintado com histórias bobas contadas nas jornadas das bolinhas de sabão tão delicadas do teu coração. continuas tão grande a caber no mundo inteiro e visto ao contrário trazes o mundo dentro de ti como um amigo gigante. não preciso dizer-to nem tu a mim que amigalhão nas rimas é coração e o meu palhaço preferido chegou vestido de grande e querido amigalhaço. desculpa mas hoje apeteceu-me entrar no teu mundo mágico!

Dedicado ao meu palhaço Kaki.

20 março 2010

Sou a tua, flor do campo!

Sou a azálea branca do teu beijo
… meu bogarim perfeito
… meu amor ardente
… meu cravo preferido
… meu crisântemo atrevido!

Sou a tua…
… adelfa,
meu alecrim de alfazema…

Sou a acácia beladona
da tua surpresa
em camélia da alma
tenho uma flor-de-lis na palma
da mão a oferecer-te…
… meu crisântemo de verdade.

Sou o azul da íris de hortênsia
cheia de ternura
meu girassol digno de alegria
onde me consolo…

Sou a devoção
do cheiro das flores do campo
dálias da delicadeza.

Poema Primavera

19 março 2010

Quem é o Rei da selva?

Ver o mundo como se fosse uma selva
e fazer dele a selva que não é
é despertar bichos que moram em nós
a ver a selva num íntimo menor
a querer soberania.

Não seria preciso haver hierarquia no mundo
se o mundo não fosse uma selva dentro de nós.

Todos precisam de um reino!
Todo reino precisa de um rei!

É preciso beber o que a natureza ensina
é a essência de todos que ela suplica
a manter-se salva a vida.

Somos um em cada um de nós e em cada um
há a tarefa tão marcante como a do rei
na verdade só falta saber quem na selva é rei
se o leão ou o elefante!

Saber do dever de não brincar com a vida
não é folia, nem ser inteligência
é short vertion do leão que tem medo
do elefante enquanto este sente pavor
do rato e rinoceronte e por isso dele foge!

Todos somos animais da selva e cada um
carrega um pedacinho de homem dentro do peito
o leão, é o rei da covardia por atacar em hoste
não tem memória de elefante para esquecer
as coisas que nunca esquece.

É preciso saber da sua importância
e juntar a isso a organização social
porque, habilidades do cérebro
com largura de lagarta
deixa o homem um fiasco selvagem
numa selva farta de erros feitos por ele.

escrito a 18 Março 2010

16 março 2010

Roubo-te todas as gotas de sal

Roubo-te todas as gotas de sal que trazes fixadas pelos teus cabelos. aos teus olhos dou-te as estrelas escritas nos sorrisos esbeltos com sentimentos de amor. sequei-te o frio que trazias na tua chuva encantada e a vida bailou por outros favos de mel. fiz de ti uma bailarina e num só desejo apaguei-te tudo que te desorientava. nos canteiros abriram-se rosas à tua chegada a verem-te menina enamorada por um canto maior dentro de um poema lido no agora. Teu sol chegou e não deste conta. ele segue-te sóbrio pelas correntes agitadas da vida em busca de afecto na direcção do teu encontro. a felicidade que não vês está tão perto.

No reflexo de uma rosa há sempre uma flor!

15 março 2010

Deep feeling

duas mãos carregadas de vazio, flores, bocas caladas, calafrios e cabeças baixas sem murmúrios. estátuas vivas de olhares inacabados que carregam suspiros de amor doído. o vento entoa nos ouvidos as lágrimas que não tem choro. o profundo é peito no poço frio do sufoco. pensar a espera sem explicação são contas do silêncio. à volta um sol quente e os corações parados, tristes. a verdade que entoa ali o instante da vida que pára. ninguém grita, ninguém se afasta, ninguém respira. todos de alma aflita e o barulho, sapatos que pisam areias petulantes. no ar uma coruja que voa noutro sentido. a vida carrega o amor mas nunca o perde. o espanto da voz calada dói e a paz alcançada é ausência mas a tua graça, fica.

Cristina / homenagem
13 Março 2009

11 março 2010

Enigmática

Busquei-me enigmática e de tudo que escutei poucas foram as coisas que vi de verdade. esta característica está-me na personalidade e garanto que ninguém o é à força nem por vaidades. o imprevisível soa-me bem. mas no fundo é-se mais previsível que o normal. há sempre uma resposta curta consoante o apresentado. ser-me pessoa reservada inteligente e observadora é por isso ser-me observada. então mantenho-me num ar de mistério que bem aprecio-me numa aparência extrovertida e descomplicada. não passo a ser-me complexa dentro do meu mundo impenetrável. dizer muito do meu eu mais encoberto não fará sentido pois a maioria dos ouvintes não conhecem-me de verdade. sou-me por vezes evasiva e reconheço-me mas nunca deixo-me a conhecer para além desse mistério que cobre-me num inteiro. o não exibir-me de tudo despertará curiosidade a verem-me como simplesmente uma metáfora. não deixo de ser quem sou e nem passo de mais um no meio de multidões de paradigmas. os sorrisos e olhares entendem-me nas coisas mais variadas que nem são para entender. não abro-me do jogo e nem o nunca sabe-me no que estou a pensar. há pessoas tão superficiais que nunca consegue-se reunir informação suficiente e quando as próprias palavras fogem-me do pensamento no tentar-me dar sentido ao já subentendido por todos é preciso sabedoria a ver-me num entender para além da simplicidade de um olhar. vejo-me no que existo de tão surreal e se tenho vezes a explodir-me de gritos deixo-me ser apenas instantes a acostumar-me naquilo que sou de admiração ganha sem saber-me. porque há seres humanos tão complexos e tão diferentes e tenho vezes a parecer-me um labirinto de mim a querer-me diferente do que sou. sinto que é difícil achar a saída pois anda escondida de mim a cada desespero. talvez se parasse por segundos conseguia encontrar bem na minha frente. mas as saídas são sempre tão invisíveis que parecem fugir-me e nessa fuga encontro tantas pessoas especiais em conversas boas em presenças fortes de ondas perfeitas e sempre vou em busca do meu mar de pena minha quando vejo-me nesse encontro subtil a passar-me tão despercebido dentro dos momentos. não tragas na ideia o pensar. não conhecer alguém assim pode não ser a verdade. garanto-me que há tantos seres especiais bem perto de ti e tua visão não vê para além de um simples olhar.
escrito a 10 Março 2010

02 março 2010

Pensamento

... hoje quase ninguém reflecte!
... hoje quase ninguém se importa!
... hoje quase ninguém é alguém!
... hoje quase ninguém sente amor de verdade pelas palavras,
pelos pensares, pela vida...
... porque hoje há um correr torto em busca de nada
porque é esse nada que acompanhará para o tumulo
e o resto,
ficará em nada
porque será tudo abandonado sem dono,
por terra
até apodrecer de vergonha.

Escárnio

Há homens e hominhos macacos e macaquinhos e há gente gentalha amiga mas são morcegos na telha sem asa há estúpidos e esquisitos outros fazem-se de Monte Cristos há gente e gente mas há gente que dá gente á custa de outra gente há poder e poderes mais dinheiro mais armário há carecas e peludos macacos barbudos e outros de canecas há de tudo por cá que Deus me livre maior que tudo isso é dar conta por isso não te iludas ai estás com ciúmes olha vê lá mas há quem deturpe tudo e diz num interesse qualquer que a gente é que não entende nada há-há-há

escrito a 25 Fev. 2010

Braga, a Cidade mais clássica do mundo!

Sou Braga cidade a portuguesa mais clássica cristã do mundo, e vós?
Vós ó romanos do reinado de Augusto que me ergueste Bracara, hoje com mais de 2.000 anos de História sou cidade do norte português, o centro da região minhota de cultura e tradições, sou história com religião numa indústria tecnológica, sou Braga! Braga na gíria a cidade dos Arcebispos.

Durante séculos fui casa do Arcebispo mais importante da Península Ibérica, o portador do título Primaz das Espanhas D. Diogo de Sousa, influenciado pela cidade de Roma veio desenhar-me nova Braga de praças e igrejas abundantes tal e qual Roma.

Sou Braga!

Maior centro de estudos religiosos de Portugal, e tu?
Tu ó arquitecto André Soares que tornaste-me cidade no Ex-líbris, Barroca sou cidade a mais importante no território e venho dos tempos Romanos, sou Roma de Portugal!
Sou cidade Romana, acolhi grandes ilustres.
O Ausónio letrado de Bordéus o prefeito da Aquitânia, responsável por incluir Bracara Augusta entre as grandes Cidades do Império Romano! por isso sou Bracara Romana!
A Bracara Augusta!
A Capital!
O coração do Minho!
E grita o Povo!
Viva César!
Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus!
O único soberano de Roma!
Centro da província sou cidade dos Três Sacro-Montes. Os santuários numa cadeia montanhosa: o Bom Jesus depois o Sameiro e a Sta. Maria Madalena depois a Sta. Marta das Cortiças!
Sou Norte!
Sou Norte num Gerês lindo de azevinhos e medronheiros, a terra das mimosas, das lagoas refrescantes e da natureza...
... sou Sul das terras senhoriais de Basto!
Sou industrial Ave e Oeste litoral marítimo do Minho.
Sou Braga construída num povoado indígena!
Como estatuto municipal tive o período de Flávios e elevei-me à sede de Conventus.
Depois,
como reforma o Diocleciano a passar-me a capital da recente província da Galécia.
Vieram os invasores!
Ó invasores suevos, que vieste escolher-me capital de Vosso reino! Na verdade vos digo que ainda tenho restos de inúmeros edifícios, escavações do claustro de Santiago, uma sala de grandes colunas e no centro uma piscina decorada com os mosaicos!
Ninguém me há-de tirar!
Tenho termas descobertas na Fonte do Ídolo!

Linda Fonte do Ídolo!

Onde terá existido um edifício religioso consagrado ao divino Tengoenabiagus, o único monumento Nacional romano intacto, a fonte de culto de deuses indígenas, época romana.
Homenagem à cidade onde nasci!
escrito a 28 Fev. 2010


os Cinco Sentidos da vida!

... este sensorial dado aos humanos para que lhes seja permitido observar e sentir paladares ao som do cheiro das flores, toco todos os sentidos construídos em magníficos patamares alegóricos, enquanto subo os escadórios do Bom Jesus do Monte, na minha Braga Cidade bela! Vejo-me numa curiosidade aguçada na primeira fonte exposta aos meus olhos, que me fala baixinho com a mensagem especial das Cinco Chagas...


“Fontes de púrpura abriu então o ódio amargo,agora o amor transforma-os aqui em cristais para ti"

Subo o degrau de cada escada

os sentidos apurados que não me escapam
as Cinco Fontes distintas com estátuas
e dizeres proclamados
“Visão” lança água pelos olhos!
“Varão prudente,
toma-as por um sonho e assim vigiarás”
Moisés observa-me na Fé que tenho
“Aqueles que feridos olhavam saravam”
e Jeremias, numa frase atenta
subscreve-me
“Eu vejo uma cara vigilante”

Sigo o trajecto entusiasmada
e perco-me no patamar
“Audição” onde escuto a água
lançada pelas orelhas
na estátua de Idito que toca Cítara
dizendo...
“Que cantava ao som da Cítara,
presidindo os que cantavam e louvavam o Senhor”
são emoções que ouço
nas palavras de David que me diz
“Ao meu ouvido darás gozo e alegria”
à frente de uma mulher na voz tremula
“Tua voz soe aos meus ouvidos”

Delirante percurso de sentires meus
os Cinco que possuo por onde passo...
... levo-me até ao “Olfacto”
num cheiro único de água lançada pelo nariz
e um varão que me diz
“Dai flores como o lírio e rescendei suave cheiro”
Noé e Sulamite com delirantes proclamações
“A tua estatura é semelhante a uma palmeira...
e o cheiro da tua boca é como o das maçãs”

Sinto o gosto! O gosto que me seduz
já noutro lance de escadas
“Paladar” estético, bem arquitectado
uma estátua a deitar água pela boca
observo José do Egipto
de cálice e prato nas mãos com a mensagem
“A tua terra seja cheia das bênçãos do senhor,
dos frutos do céu e do orvalho”
e o Jónatas sóbrio
“Provei um pouco de mel na ponta duma vara
e eis porque morro”
com Esdras a pedir-me
“Prove o pão, e não nos abandones,
como o pastor no meio dos lobos”

Chego lá, sem cansaço que me afecte...
... o “Tacto”, tem duas mãos
a segurar uma bilha donde cai água
Salomão diz palavras poéticas
“As minhas entranhas estremeceram ao seu toque”
ladeado por Isaías que
“Tocou a minha boca”
e Isaac, o cego de mãos estendidas
na procura do filho!
“Chega-te a mim, meu filho,
para que te toque"

escrito a 01 Março 2010
em homenagem aos Escadórios dos Cinco Sentidos
situado no Bom Jesus do Monte em Braga

as Três Virtudes do homem

A ti homem, foi-te dado Três Virtudes que carregas no coração, ou não! Porque junto a tudo que te foi dado, também recebeste o livre arbítrio! E como tal és livre como a água que corre nas fontes, as fontes arquitectadas ao pormenor com amor, para que lembres que para seres feliz deves senti-las como verdades para não morreres pobre, como serpente de cabeça esmagada.

Que sejais Fé num homem livre!
Onde “Correrão dele águas vivas”
numa fonte de vida
a vida que tens nas tuas mãos.
Que possas acreditar
que o alcance dos teus sonhos e desejos
estão a um passo de ti!
Tudo à docilidade da tua confissão.

Que sejais Esperança
num sábio da Arca de Noé!
“Arca na qual...se salvaram almas”
à tua confiança e glória aludir
para que sejas capazes
de ultrapassar qualquer dilúvio!

Que sejais Caridade, porque ela é
“a maior das virtudes”!
Simbolicamente deixo-te
uma estátua de mulher
com duas crianças nos braços
cuja água jorra do coração de uma delas
um alegórico à Bondade e à Paz!

escrito a 01 Março 2010
homenagem aos Escadórios das Três Virtudes
situado no Bom Jesus do Monte em Braga